Prática · Compreensão escrita

Comidas gigantes de CaruaruC1

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Um dos grandes destaques culturais de Pernambuco é, definitivamente, a culinária. Mas, dentre tantas outras localidades do Brasil e do mundo conhecidas por sua gastronomia, o estado encontrou um diferencial gigantesco — literalmente. O centro dessa tradição é Caruaru, que inaugurou um costume que pode parecer, à princípio, esquisito, mas que conquistou um lugar no coração dos nordestinos com o passar do tempo e hoje é um dos carros-chefe da programação de São João da cidade: as comidas gigantes.

Só neste ano, são mais de 70 festas dedicadas aos maiores pratos do mundo. E tem comida pra todos os gostos, de cuscuz a tapioca, de paçoca a tareco, de bolos a caldos. Esses eventos não são só um capricho megalomaníaco; para os pernambucanos, são como uma carta de amor às suas tradições e à culinária afetiva que faz parte do seu dia a dia, tanto queso much so that o ponto de partidathe starting point dessa história foi um caruaruense comum que, para criar um momento especial com os moradores da sua comunidade, fundou um ritual que se espalhou organicamente pela cidade.

Foi José Moreira da Silva o inventor da Pamonha Gigante, o primeiro dos pratos gigantescos de Caruaru. No São João de 1990, com o objetivo de ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade da sua comunidade, ele e a esposa, Maria Margarida, tiveram a ideia de preparar uma comida junina de grande porte para servir gratuitamente aos moradores locais. Assim nasceu essa festa que, em sua primeira edição, resultou em uma pamonha de 3,8 kg. No ano seguinte, a tradição continuou, com pratos cada vez maiores graças ao público que o evento passou a atrair — o casal chegou a servir end up servinguma versão de 340 kg em uma das festividades.

Com a morte de José e de Maria Margarida em, respectivamente, 2004 e 2018, a festa, como foi concebida, deixou de existir. No entanto, seu pioneirismo foi fundamental para começar um novo hábito junino na cidade. Com inspiração na Pamonha Gigante, surgiu o que hoje é o mais antigo e o mais conhecido dos pratos gigantescos de Caruaru: o cuscuz, criado por um familiar do casal.

“O Maior Cuscuz do Mundo iniciou com a Caminhada do Forró. Eu fiz uma caminhada até o Alto do Moura, saindo do Centro de Caruaru, com um carro de som sound trucktocando muito forró. Na época se usava fita cassete, então a gente selecionou músicas de arrasta-pé e saiu caminhando set off walkingpor um percurso de 8 km, no dia 13 de junho de 1993”, explica o promotor de eventos José Augusto Soares, que começou essa tradição. Chegando na Praça do Artesão, ele se deu conta realizeda quantidade enorme de pessoas que se juntaram à festa. O que começou com 100 forrozeiros, terminou com mais de mil caruaruenses que foram contagiados pelo ritmo be carried away by the rhythmda música.

Além do número, outra coisa chamou a atenção do promotor. “Eu vi que o pessoal chegou faminto, porque nós saímos de nove para dez horas da manhã. Aí pensei em fazer um cuscuz, já que eu gosto muito de cuscuz”, afirma. A partir daqui, a ideia já era preparar uma versão gigante do clássico nordestino. Em 1994, ele realizou mais uma edição da Caminhada do Forró, desta vez, com tudo programado: iria servir o Maior Cuscuz do Mundo para todos os caminhantes.

“Talvez eu não tivesse nem ideia da dimensão have no idea of the scaledo que iria acontecer, da multidão que isso arrastou. Na época não tinha redes sociais, era jornal impresso, rádio, televisão e o povo comentando. Por onde eu andava a turma me elogiava muito. Eu, que sou uma pessoa simples, recebi muitos parabéns. Foi uma repercussão grandiosahave a (huge) impact. Começou a vir imprensa de todo o Brasil, todos os canais de TV daqui e até do exterior”, diz Augusto.

Mais de 30 anos depois, o evento duplo é um verdadeiro marco do São João de Caruaru, tendo contribuído significativamente para o seu crescimento. “Eu costumo dizerI usually say (that…), com grande respeito a Vitalino e aos artesãos locais, que o São João do Alto do Moura só veio a acontecer end up happeningdepois da Caminhada do Forró com o Maior Cuscuz do Mundo. Hoje é um polo muito movimentado. Evoluiu muito”, reforça ele.

Para além dos números, o Maior Cuscuz do Mundo é um cenário autêntico de celebração da cultura pernambucana e da formação de vínculos afetivos duradouros. Ao longo over (these decades)dessas décadas, Augusto viu amizades profundas se formarem, pais passarem a tradição de frequentar as caminhadas para seus filhos e famílias se reunirem ritualisticamente ano a ano. E a criação desse ambiente que se tornou tão significativo, tanto culturalmente quanto individualmente, no coração de diversos pernambucanos, rendeu ao promotor o título de Patrimônio Vivo de Caruaru.

Tradição coletiva

Com a popularidade crescente do Maior Cuscuz do Mundo, uma tradição se iniciou a tradition beganem Caruaru. Aos poucos, outros alimentos foram ganhando suas versões gigantescas, com eventos próprios encabeçados por be led byoutros caruaruenses. Observando essa tendência, Augusto teve a ideia de criar movimentos organizados de comidas gigantes: “o primeiro foi a Associação dos Idealizadores de Comidas Gigantes. Cresceu muito e tive que criar um segundo, a União dos Criadores das Comidas Gigantes de Caruaru. Foi aumentando e fiz um outro movimento, do qual sou presidente, o Circuito das Comidas Gigantes de Pernambuco”.

Atualmente, o portfólio das comidas festivas de Caruaru é tão gigante quanto as huge aso tamanho dos pratos. Entre seus destaques, está a festa Pé de Moleque Gigante, a terceira a aparecer na cidade, em 1998. Hoje, são Dona Maria do Bolo e seu filho, Marcelo Silva, quem estão à frente deste evento, que começou como uma alternativa às celebrações de outras localidades.

Inicialmente, a intenção da idealizadora não era exatamente criar uma nova comida gigante, mas poder participar de um evento. Na primeira edição, tudo foi planejado e executado em apenas 15 dias: Ana Karina mandou fazer have (something) madeuma fôrma em formato de pé-de-moleque, inspirada pela receita da mãe, que fazia bolos com o sabor da iguaria, e arrecadou o material necessário para cozinhar o prato. O resultado foi um alimento de 3 metros e 500 kg.

A repercussão pegou a família de surpresacatch someone by surprise, mas a ideia deu certo work out / go welle segue viva. Em 2026, o Pé de Moleque Gigante chega em sua 29ª edição, servindo um prato de 20 metros e aproximadamente duas toneladas para milhares de pessoas. Para Marcelo, manter essa tradição, que foi passada para ele, é uma forte representação da cultura popular.

Entre as festas, há também a do Cozido de Milho. Queridinho de muitos pernambucanos, o alimento tem sua própria variante gigante, elaborada pelo professor André Carlos Monteiro e realizada pela primeira vez em 2002, com o objetivo de fortalecer as tradições juninas nos bairros. O evento, que faz parte da Associação dos Idealizadores das Comidas Gigantes de Caruaru, começou na Rua Coelho Neto, mas precisou ser realocado para o bairro Santa Rosa, em razão da due to / because ofsua popularidade e, consequentemente, de um crescimento intenso de público que não coube mais na primeira locação.

“Mais do que um alimento típico, o milho representa tradição, memória e identidade cultural”, explica André, que enxerga na celebração uma importante ferramenta para o fortalecimento da cultura e das raízes nordestinas através da gastronomia e da convivência coletivacollective interaction. A festividade une apresentações de artistas regionais, trios pé-de-serra, quadrilhas matutas e atividades para o público infantil, além da distribuição gratuita de milho cozido. Este ano, a expectativa é de compartilhar the expectation is to + verbmais de 2,5 mil espigas para um público estimado em mais de 10 mil pessoas, promovendo provide / promote (an experience)uma experiência ampla dos festejos juninos.

Ainda, Caruaru é palco da festa Tareco e Mariola Gigantes, idealizada por Marta Alves. Quem ama forró já deve ter captado must have + past participlea referência: o evento é uma homenagem ao sucesso de pay tribute to2003 de Petrúcio Amorim. “Por eu ser presidente da associação do meu bairro, Vassoural, as pessoas me pediram para criar uma celebração para agregar ao São João de Caruaru e aí eu tive a ideia de fazer uma caminhada e distribuir tareco e mariola. No segundo ano, a festa entrou na Associação dos Idealizadores de Comidas Gigantes”, explica ela.

Quando chega junho, a preparação para o evento é intensa. Os alimentos são feitos em uma fábrica e, cerca de três dias antes da festa, chegam na casa de Marta para a confecção e organização das bolsinhas para a distribuição. Nessa época, o espaço se enche de fill up withfamiliares para ajudar no processo. Este ano, foram entregues 50 kg de tareco e 5.000 mariolas, além de cinco tarecos gigantes, com cerca de 50 centímetros, e da mariola de dois metros, os grandes símbolos dessa celebração.

O clássico 40 com galinha também ganhou sua versão festiva. O prato, que consiste em uma massa de cuscuz de milho servida com galinha desfiada, calabresa e charque, foi eternizado no São João de Caruaru por Seu Dadái, no ano de 2008. Em 2022, o idealizador passou a responsabilidade da festa para o chef Mário Azevedo, que já participa da sua preparação há cerca de 10 anos.

O planejamento para que a festa saia do papel get off the ground / be put into practicetodos os anos é intenso. Para o público, o evento começa às 19h, mas, para quem está à frente do processo, a preparação se inicia às 8h. “É um grupo de quatro ou cinco pessoas que me ajuda. De manhã cuidamos de todo o material da comida. À tarde, fazemos o fechamento da rua e a montagem do palco, dos toldos e da iluminação. À noite, começamos, com bastante forró pé-de-serra”, destaca Mário.

Enquanto isso, a Festa da Tapioca, criada por dona Carminha e seu Humberto, nasceu com o objetivo de aumentar a circulação de pessoas no bairro de Rendeiras durante os festejos juninos, também em 2008. Todos os anos, o casal via os moradores do local se deslocarem travel / move (to)para outros espaços de Caruaru e, inspirados pelas já existentes comidas gigantes da cidade, fundaram a Tapioca Gigante para agregar ao São João.

Hoje, é Stephanie Mendes, filha de Carminha e Humberto, que organiza o evento, ocorrido este ano no dia 13 de junho. “A gente tá com a expectativa muito alta, porque esse ano é ano de copa”, explica. Os presentes puderam assistir ao jogo do Brasil contra o Marrocos em um telão e desfrutar de enjoycerca de 700 kg de tapioca doce, distribuídos gratuitamente.

Muito além do sabor

Para Caruaru e boa parte do seu povo, o São João é uma celebração viva e permanente, que circula pela cidade e pelos corações durante todos os dias do ano. E as comidas gigantes, mais que simples parcelas dessa festa, são sinônimos de identidade, cultura, tradição, turismo e economia.

Marta, idealizadora do Tareco e Mariola Gigantes, resume bem esse sentimento: “É muita emoção. A gente espera ansiosamente a data da nossa festa porque nós temos o São João na veia desde o nascer [...] A cidade toda fica linda, animada, com balões e com bandeirinhas. Estamos muito felizes com esse movimento”.

Para ela, a importância das comidas gigantes para a esfera social e econômica de Caruaru são gigantescas. A temporada junina é uma grande geradora de emprego e renda para a cidade, visto que, nos dias de festa — que são muitos —, grupos de amigos, famílias e casais se reúnem num só lugar e consomem produtos de vendedores e barraqueiros locais. Além disso, a distribuição gratuita de comidas tradicionais transmite a cultura e potência da culinária nordestina para todos, sem distinção.

Também vale mencionar it is worth mentioning (that…)que essas tradições têm chamado a atenção de muitas marcas, de nível estadual e nacional, que se deslocam travel / move (to)para o interior para participar e patrocinar os eventos. Esse tipo de iniciativa não apenas oferece materiais para a produção dos alimentos gigantes, como também fornece maior visibilidade para as festas.

André, criador do Cozido de Milho Gigante, ressalta o papelthe role of X in Y dessas comemorações na movimentação dos bairros de Caruaru. Graças a elesthanks to (them), o São João é descentralizado do centro e moradores, comerciantes e turistas de cada parte da cidade podem desfrutar da dataenjoy. “Nós mantemos viva a nossa tradição dos festejos de rua, onde as famílias se reúnem e celebram o período junino com muita brincadeira e forró autêntico”, afirma ele.

O São João de Caruaru não é conhecido como o Maior e Melhor do Mundo à toa. Esse título é fruto da dedicação orgânica dos próprios caruaruenses, que criaram um costume regional que começou com uma família e se alastrou spread / expandedpor toda a cidade graças à paixão dos cidadãos por sua identidade. “Todos nós que fazemos as comidas gigantes trabalhamos com dedicação para ver a cidade crescer mais ainda. Essas tradições são muito importantes para que as pessoas que vêm de fora também participem das festas dos bairros. Isso é um orgulho be proud of / be a source of pridepara a gente”, ressalta Mário, que atua no 40 de Galinha Gigante.

Foi o coletivo queit was the community that… construiu e segue construindo a totalidade da festa que se tornou um dos grandes destaques do Brasil. Tradições passadas de geração em geração, entre familiares, amigos e vizinhos de bairro são o pilar fundamentalfundamental pillar do São João.

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